segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Criação do Facebook



TRECHO DO LIVRO "Bilionários por Acaso"

Era um lugar assustador, especialmente para um garoto como Eduardo. Ele não era pobre - havia passado a maior parte de sua infância entre comunidades de classe média alta no Brasil e em Miami antes de se matricular em Harvard -, mas sentia que o tipo de opulência do Velho Mundo que a sala representava lhe era completamente estranha. Mesmo com o álcool, Eduardo perceberia suas inseguranças remoendo as profundezas de seu estômago. Ele se imaginou mais uma vez como um calouro, pisando pela primeira vez o pátio de Harvard, pensando o que diabos estava fazendo ali e como poderia fazer parte de um lugar como aquele. Como ele poderia fazer parte de um lugar como aquele?

Ele se inclinou na soleira, analisando a multidão de jovens que enchiam a maior parte daquele salão cavernoso. Uma turba, de verdade, que se amontoava ao redor dos bares improvisados que haviam sido instalados especialmente para aquele evento. Os próprios bares eram muito malfeitos - mesas de madeira que não passavam de meras tábuas, completamente fora de sintonia em um ambiente tão austero -, mas ninguém sequer notava, pois eles eram coordenados pelas únicas garotas no lugar; loiras peitudas parecidas umas com as outras vestindo tops pretos e curtos, trazidas de alguma faculdade local só para mulheres a fim de atender aquele bando de garotos.

O bando era, de muitas formas, mais assustador que o local. Eduardo não poderia dizer com certeza, mas achava que havia cerca de duas centenas deles - todos homens, todos vestidos com ternos escuros parecidos. A maior parte era do segundo ano; uma mistura de todas as raças, mas havia algo muito comum em todos os rostos - os sorrisos pareciam muito mais seguros do que o de Eduardo, havia confiança naqueles duzentos pares de olhos -, eles não estavam acostumados a serem postos à prova. Eles eram dali. Para a maioria deles, essa festa - e esse lugar - era só uma formalidade. Eduardo respirou fundo, e fez uma leve careta ao inalar o ar poluído. As cinzas da fogueira lá fora aos poucos atravessavam as cortinas, mas ele sequer se moveu de onde estava, pelo menos não por enquanto. Ainda não estava pronto.

(...)

Ele estava de volta à festa caribenha, em todos os detalhes. Lembrava como o reggae ressoava nas paredes, o som da bateria ferindo seus ouvidos. Lembrava-se do gosto do ponche de rum, das garotas de biquíni florido.

Lembrou até do garoto de cabelo enroladinho que estava no canto da sala, a poucos metros de onde ele encontrava-se agora, observando seu avanço, tentando arrumar coragem para aproveitar sua deixa e aproximar-se de um dos veteranos do Phoenix antes que fosse tarde demais. Mas o garoto nunca saiu de seu canto; na verdade, sua capacidade para se sabotar era tão palpável, que parecia agir como um campo de força, criando uma área ao seu redor que funcionava como um magnetismo às avessas, que fazia com que ninguém sequer passasse perto dele.

Eduardo sentiu certa pena na hora - porque ele havia reconhecido o tal garoto de cabelo enroladinho, e porque não havia jeito de aquele cara entrar no Phoenix. Um garoto como ele não tinha como se dar bem em nenhum dos Clubes Finais - sabe Deus que diabos ele estava fazendo naquela festa. Harvard tem inúmeros nichos para garotos desse tipo; laboratórios de computação, clubes de xadrez, dúzias de organizações underground e provedores de hobbies para qualquer tipo de interesse social imaginável. Bastou um relance para Eduardo perceber que, obviamente, aquele garoto sequer sabia como funcionava a rede de relacionamentos sociais que se deve criar para chegar a um clube como o Phoenix.

Mas naquela hora, como agora, Eduardo estava muito ocupado atrás de seu sonho para perder tempo pensando em um garoto esquisito no canto da sala.

Certamente, ele não tinha como saber, nem antes nem então, que aquele garoto com o cabelo enroladinho viraria do avesso todo o conceito de rede de relacionamentos sociais - que um dia aquele garoto com o cabelo enroladinho que tentava entrar nas primeiras festas da faculdade mudaria mais a vida de Eduardo que qualquer Clube Final.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Relapsos

Os lapsos nos protegem.
Muitas vezes pensamos que nossos atos falhos servem apenas para nos fazer pagar grandes “micos”, e vez por outra enrubescer.
Um desses atos falhos quase me impediu (eu quase me impedi) de viajar…
Contudo não poderia evitar o inevitável.
Um grande sofrimento…
Reencontrar aquilo que mais o feriu, que mais marcou, e ainda marca e fere.
Expectativas…
Frustações.
E perceber que não está nas suas mãos mas nas do outro.
E o outro é imprevisível e sempre fala por metáforas e sinais… todos falamos.
Não importa o que eu faça, isso em nada muda a situação ou a empolgação desse maldito outrem. Cantadas frouxas, cantadas sujas.
Frases soltas.
Casamento em 2020…
Eu bancando o palhaço.
A família reunida.
Festa, outras cantadas, outros olhares… atraente…(sem falsa modéstia).
Dia seguinte, agrados, presente… abraços, molemente se enlaçando em mim.
Nada.
Resisto.
A contra gosto.
Nem sei o que faço.
É muito feio alguém da minha idade chorar?
É um choro de fracasso, como perder a corrida… e eu tinha carro? estava na competição afinal?
Nada.
Adversários desconhecidos…
Sempre na volta final eu morro.
E desclassifico.

Sua indisponibilidade corrói minhas defesas… mais uma vez fiquei doente…
Fazendo o corpo pagar pela doença do coração.

Extraído do blog: indelicadezas.blogspot.com

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Feriadão em família

O que é Ética?


Álvaro Valls começa seu discurso em relação à ética com a seguinte frase: “A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar quando alguém pergunta”. Em seguida se socorre de estudos filosóficos e até teológicos para tentar elucidar tantas dúvidas a respeito de um tema tão complexo.
As questões éticas convivem conosco diariamente e costuma-se separá-las em dois campos: num, os problemas gerais (como liberdade, consciência, bem, valor, lei e outros); e no segundo, os problemas específicos (ética profissional, política, sexual, matrimonial etc.). É um procedimento didático ou acadêmico, porque na prática eles não vêm assim separados.
Existe ainda outra temática especificamente ética merecedora de atenção: A cultura e os costumes mudam no decorrer do tempo e o que era errado, hoje pode ser considerado certo. Porém, a equação não é tão simples assim. É claro que a ética precisa ter uma função descritiva, preocupando-se também com estudos de antropologia e semelhantes, os costumes das diferentes épocas e lugares. No entanto, só há registros do comportamento humano, dos últimos milênios, embora o homem já esteja por aí há muito mais tempo.
Só chegaremos a descobrir qual é a ética vigente numa ou noutra sociedade, através de documentos não escritos ou mesmo não-filosóficos (pinturas, esculturas etc.). Não são apenas os costumes que variam, mas também os valores que os acompanham, as normas, os ideais, a sabedoria, de um povo ou de outro.
Na Idade Média, por exemplo, duas vertentes se chocavam: o incesto (até o sétimo grau) era pecado mortal, mas como a maioria era analfabeta e ignorava a genealogia, ficava fácil para os nobres casarem-se e descasarem-se com quem bem entendessem até conseguirem o seu filho varão, por causa da linhagem, do nome, da herança. Hoje, teríamos de nos perguntar qual a importância dessa regulamentação ética, numa época de capitalismo, onde a maioria enriquece ou empobrece exclusivamente por seu esforço pessoal. Então, não haveria uma ética absoluta? Não teria o Cristianismo trazido essa ética? Max Weber, pensador alemão do início de nosso século, mostra que essa ética não era simples e nem acessível, pois os protestantes sempre valorizaram mais o trabalho e a riqueza, enquanto os católicos davam valor à abnegação, à pobreza e ao sacrifício.
O filósofo grego Sócrates foi chamado, muitos séculos depois de sua condenação a beber veneno, de “o fundador da moral”, porque sua ética não se baseava simplesmente nos costumes do povo, mas sim na convicção pessoal, adquirida através de um processo de consulta ao seu “demônio interior”, na tentativa de compreender a justiça das leis. Este movimento de interiorização começa com Sócrates e culmina com Kant (século XVII) que defendia o agir livre do homem. Após o Iluminismo (ascensão da burguesia, igualdade entre os homens) Kant precisa chegar a uma moral igual para todos, moral que se interesse pelos aspectos exteriores, empíricos e históricos.
Legalidade e moralidade se tornam dois opostos porque agora o que temos é a “forma” do dever (leis), o chamado “imperativo categórico”, o qual tem este nome por ser uma ordem formal nunca baseada em hipóteses: “Devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal”.
Não somente Sócrates, na Grécia antiga, foi importante para o surgimento de muitas ideias e teorias que até hoje nos acompanham; vale a pena salientar a colaboração de Platão e Aristóteles, responsáveis pela reflexão e pesquisa do que era o bem moral, embasados no contexto religioso, princípio de muitas teorias éticas. Platão pregava a imortalidade da alma e esperava a felicidade para depois da morte. O homem deveria procurar a contemplação da ideia do Bem. O homem deve desprender-se do corpo, do terreno e do mundano, para encontrar-se com o mundo ideal, imutável e eterno. Aí está o Sumo Bem para Platão. As principais virtudes para o filósofo era: justiça, prudência, fortaleza e temperança.
Aristóteles, além de grande pensador, era um psicólogo preocupado com a observação empírica, revelando seu talento especulativo, analítico e comparativo. Ao contrário da teoria platônica do Sumo Bem, a teoria aristotélica defende que os Bens variam de acordo com os seres; sem um conjunto de tais bens não há felicidade; o homem tem o seu viver no viver, no sentir e na razão.
A religião desses pensadores gregos era ainda bastante naturalista (sendo os mitológicos deuses quase personificações de forças naturais). Com a religião judaica, a questão se modifica. O Deus de Jacó não se identifica com as forças da natureza, porque está acima delas. Em relação à religião de Abraão, Jesus Cristo prega o amor, principalmente o que vem de cima: Deus.
A religião trouxe indubitavelmente, um grande progresso moral à humanidade. Porém, não se pode negar que os fanatismos religiosos mandaram, muitas vezes, a mensagem ética da liberdade, do amor, da fraternidade universal. O pensamento ético que conhecemos está, por tanto, muito ligado à religião, à Bíblia e a teologia.
Pensadores como Kant e Sartre, tentam formular teorias éticas aceitáveis pela pura razão. Já pensadores como Hegel, Schelling, Kierkegaard e Gabriel Marcel, ou mesmo Martin Buber, discutem apenas a maneira de relacionar as doutrinas religiosas com a reflexão filosófica.
Os ideais da vida ética, como podemos observar até aqui, variam muito de acordo com o espaço, a cultura, o tempo. Para os gregos, os ideais éticos estavam na busca de ideia do Bem (Platão), da busca pela felicidade (Aristóteles), na vida natural (os estóicos), na busca pelo prazer (Epicuristas). Para os cristãos, o homem tinha que viver para Deus. O lema socrático do “conhecer-te a ti mesmo” volta à tona, em Santo Agostinho, que agora ensina que “Deus é mais íntimo do que nosso próprio íntimo”; o ideal é o de uma vida espiritual. Já para a burguesia, que começava sua hegemonia no Renascimento e Iluminismo (século XV a XVII), o ideal era viver de acordo com a própria liberdade pessoal. Para Kant, a autonomia individual era critério de moralidade. Para Hegel, o ideal estava numa vida livre dentro de um Estado Livre, que preservasse o direito dos homens e lhes cobrasse seus deveres. E por falar em Estado Livre, é bom lembrar que ao falar de ética, estamos falando de liberdade. Porém, ética também lembra responsabilidade e olha o paradoxo novamente! Também não tem sentido o encaixe do determinismo nessa discussão, pois se a ética se refere às ações humanas, e se elas são determinadas de fora para dentro, onde entra a liberdade? Já o extremo oposto ao determinismo acredita numa liberdade total e absolutamente incondicionada, ou seja, poder pensar mas não poder agir. Esse é o pensamento estóico, que com a afirmação desse pensamento abstrato, penetrou no Cristianismo gerando exageros e tendendo para o lado puramente “interior”.
Para o pensador da burguesia, Kant, o ideal ético era a autonomia individual; tentando suplantar esse pensamento Kantiano o filósofo alemão Hegel, afirmava que, não é possível um ideal ético sem um Estado de direito, moderno e constitucional, onde cada um fosse livre, mas obedecendo às leis e organizações sociais – “Liberdade Organizada”.
Essa teoria de Hegel foi duramente criticada por Karl Marx. Para ele o Estado seria, de fato, um instrumento a mais de poder na mão do mais forte e não o universal harmonizador. Outros pensadores também discordaram da teoria de Hegel, como Kierkegaard (século XIX), e Jaspers, Heidegger, Mearleau – Ponty e Sartre, no século XX. Eles defendem que Hegel teria esquecido a dimensão propriamente humana e individual da liberdade, menosprezando a singularidade individual.
S. Kierkegaard, pensador dinamarquês, e grande admirador dos gregos, confrontou o pensamento grego antigo com o cristão e percebeu que para os gregos o “pecado” seria apenas “ignorância”. Afirmava, através de suas fontes (São Paulo, por exemplo), que o homem pode conhecer o bem e preferir o mal e justamente por isso, a ética estaria prejudicada. Por meio de seu livro “O Conceito de Angústia” descreve, como outros psicólogos posteriores, não só a angústia que o homem sente diante do mal, mas também a que sente diante do bem, quando preferiu o mal. Descreve também que a ética grega era, no fundo, apenas estética. A norma grega de buscar o belo e o bom se resumiria à busca da beleza, do prazer, de tudo que era agradável.
De maneira semelhante se poderia dizer que a ética medieval, na cristandade, era, no fundo, um comportamento religioso e não ético, pois ele era norteado pelos mandamentos divinos. Apesar disso, um filósofo e teólogo como Tomás de Aquino, por exemplo, dava muita importância sim à consciência moral, aquela voz interior que nos diz o que fazer de bem ou de mal.
Por mais que variem as discussões filosóficas éticas ou mesmo a situação histórica e geográfica, algumas noções permanecem arraigadas dentro de nós. A distinção entre o bem e o mal, por exemplo, o agir eticamente e de acordo com o bem etc. O que não podemos esquecer é que há de se ir além do discurso e exercitar a ética, pois ela é ciência prática e não teorica, buscando dentre todos esses pensamentos uma forma harmoniosa de viver.
Ainda seguindo o pensamento de Hegel, hoje em dia, os grandes problemas éticos seriam família, sociedade civil e Estado. Reflexões sobre o relacionamento familiar, homossexualismo, filhos e pais, a falta de trabalho, necessidade de reformas políticas etc. reforçam a atualidade não só da linha de pensamento de Hegel, mas de muitos outros pensadores antigos e pós-modernos (Adorno e Horkheimer).
Com a leitura de “O que é Ética”, de Álvaro Valls, é possível mergulhar não só em “O Mundo de Sofia” (livro que discorre sobre a história da filosofia) mas principalmente, em um campo extremamente complexo e difícil, que é a Ética. Porém, é de absoluta importância o seu entendimento, bem como seu estudo mais profundo para que tentemos administrar todas as vertentes éticas e morais subjugadas a tão brilhantes pensadores. As dúvidas existem, mas o que importa são as discussões acerca desse tema é o elas nos deixarão de perene.
Se for possível diante de todos os conceitos assimilados, alcançar um ideal ético e adequar-se a si mesmo e a sociedade, já é um excelente ponto de partida. Parece que a palavra-chave é o “discernimento” e, quem sabe, desejar sorte também ajude!

TED 1 Legislação e Ética em Comunicação
por Mônica Fraga

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Feriado prolongado na praia do sono


Feriado prolongado tem tudo a ver com praia do sono. Mais uma vez na praia e é sempre único.
Desta vez um mix de Angra, São Paulo, Caraguá, Guarujá e Santos. Sem falar do céu estrelado, fogueira, novas amizades e as várias estrelas cadentes no céu daquele lugar perfeito.

Para quem não conhece, recomendo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Protesto Estudantil 30/09


O compromisso foi viabilizar ônibus novos e sem custo aos universitários.
O que não aconteceu. Por isso a importância de pesquisar bem em quem votar.
Quem não pode fazer não promete.

domingo, 26 de setembro de 2010

Por um Brasil melhor


A busca por soluções para um mundo sustentável. O programa destaca iniciativas que já dão resultado e podem ser aplicadas no Brasil.